O veneciano, Vinício Justiniano Faria, de 37 anos, de Nova Venécia, passou 467 dias na Guerra da Ucrânia, e foi para lá, como voluntário, embarcando em 2023 e voltando ao Brasil em 2024.
Empresário e atirador esportivo, o veneciano estava em um treinamento no Uruguai, quando foi convidado por um oficial da Força Aérea do Uruguai, em 2023, para lutar na Ucrânia. “Eu, simplesmente, tinha que ir, foi um chamado”, narra.
Por lá, lutou seis meses sem receber, e pagou por conta própria a passagem, que custa em média, R$ 11 mil, só de ida. Foi só depois desse período que, ele foi promovido a sargento do Batalhão de Inteligência (GUR), que fica em Kiev, e passou a receber um salário de US$ 5 mil (R$ 27.239,50) e a comandar uma equipe de 33 pessoas, sendo seis brasileiros. “Eu me tornei atirador esportivo, fui campeão estadual e interestadual. Fui treinar na Polônia, Chile, Alemanha, e estava em treinamento no Uruguai. Foi, então que, um major da Força Aérea me convidou para lutar na Ucrânia”, diz.
Antes de ir para a Ucrânia, quando voltou do Uruguai, Vinício passou três dias em casa e contou para a esposa que iria para guerra. “Sai do Espírito Santo e fui para São Paulo, França, Varsóvia (Polônia), até a chegada, que é pela cidade de alistamento, Ternopil.
“Chegando lá, geralmente, fica na base, que é o local que o soldado tem um curso de sobrevivência. Fui para a trincheira. Durante o período que passei na guerra, tomei dois tiros. Perdi vários amigos. Um tiro, que pegou no colete balístico. Depois, tomei um tiro que acertou minha costela e precisei ficar hospitalizado, até me recuperar”, pontua.
Vinício contou que passou fome, frio e ficou dias sem conseguir tomar banho, além de enfrentar temperaturas muito baixas, de 25 º C negativos. “Mas, valeu a pena, não só pela experiência como também, pela irmandade que nós criamos, com nossos companheiros”, diz.
O veneciano alerta para quem deseja seguir o mesmo caminho dele. “Se não tiver experiência militar, você não entra lá, o país não aceita”, fala.
O conflito entre o país e a Rússia começou em fevereiro de 2022, quando tropas russas invadiram localidades próximas à capital Kiev. Sobre retornar, o veneciano é categórico. “Se não fosse a minha esposa e minha filha, eu já estaria lá de novo”, finaliza.