O primeiro nome anunciado como reforço do Real Noroeste para a Série D do Campeonato Brasileiro foi o do atacante Matheus Bidick. Mas a segunda passagem do atleta pelo clube que o profissionalizou já chegou ao fim, antes mesmo do início da fase preliminar da competição. O jogador queria uma liberação da diretoria para visitar a família, o que não foi cedido pelo clube. Esse foi o estopim para a saída.
O jogador de 26 anos tem família na cidade de Mantena, em Minas Gerais, que faz divisa com o Espírito Santo e fica cerca de 15 minutos de Barra de São Francisco, cidade capixaba onde outras pessoas ligadas ao Real Noroeste moram. A não liberação para visitar a família, sendo que existem outros jogadores morando próximo de sua cidade, foi o pilar para a saída do clube, como disse o atleta em entrevista ao ge.
- O motivo da minha saída foi pessoal. Infelizmente não entramos em acordo, eu queria vir em casa aos finais de semanas e o presidente não se propôs a liberar isso, sendo que tem jogadores que moram em Barra de São Francisco, que é 10 minutos de Mantena, e eles vão e voltam todos os dias. E eu pedi só para vir aos finais de semanas e ele achou que isso não era possível - afirmou o jogador.
A ida para o clube do Noroeste do Espírito Santo foi realizada por meio de um empréstimo feito junto a Desportiva Ferroviária, onde o jogador tem contrato vigente até o mês de novembro desde ano. Antes de fazer o exame da Covid-19 e se apresentar oficialmente ao clube, Bidick conversou com o seu empresário e manifestou desejo de voltar a jogar no time que o revelou. Mas para evitar algum tipo de imbróglio, o atleta preferiu sair.
- Conversamos, expliquei que fui para o clube também porque estava próximo de casa e que não abriria mão da minha família. Já estava abrindo da minha rescisão com a Desportiva num acordo que estaríamos fazendo para me liberar, mas mesmo assim ele (presidente do Real) não quis essa questão de eu ir em casa. Agradeci a oportunidade, falei que para mim não estava bom dessa forma e para eles também não, então preferir sair do que ficar um clima ruim e deixar uma má impressão.
O Real Noroeste foi o único time do Brasil que não suspendeu suas atividades durante o período de paralisação das competições em todo o país e manteve o elenco isolado na cidade de Águia Branca e treinando no Estádio José Olimpio da Rocha. No dia 15 deste mês o clube realizou a 1ª bateria de testes da Covid-19, no qual Matheus Bidick estava presente e foii testado. No dia seguinte, 16, um domingo, o atleta deixou o grupo por causa dos motivos explicados acima.
Resposta do presidente do Real Noroeste
A reportagem do ge entrou em contato com o presidente do clube, Fláris Olimpio da Rocha, e obteve uma resposta sobre o assunto por meio de uma nota enviada pela diretoria.
- Foi passado para o atleta que quando concentrados os atletas não poderão sair do clube, isso inclui todos, até porque serão todos testados para comprovar que estão aptos a irem para o jogo (quem não estiver contaminado com o novo coronavírus). O atleta em questão mora em outro estado, e está sujeito a contato com pessoas que fogem do nosso círculo de convívio. Enfim, o atleta ainda está vinculado ao clube Desportiva (veio ao CT do Real com contrato ativo na Desportiva, não foi firmado entre nós o contrato desportivo). Infelizmente o atleta não entendeu a necessidade de ficar concentrado no clube (para se proteger e proteger os demais colegas), e por esse e outros não firmamos contrato... agora é continuar nosso trabalho aqui, evitando o máximo possível qualquer situação que possa trazer risco a segurança do nosso time - finaliza.
(Globo Esporte)