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Zeca Pagodinho comemora 40 anos de carreira no Movimento Cidade com show inédito no ES

Zeca Pagodinho comemora 40 anos de carreira no Movimento Cidade com show inédito no ES

Show inédito no Espírito Santo acontece em 15 de agosto, no Parque da Prainha, em Vila Velha, dentro da 8ª edição do maior festival de artes integradas do estado (Crédito/Imagem: Guto Costa)
Há artistas que envelhecem com o repertório e há aqueles cujo repertório se recusa a envelhecer. Zeca Pagodinho pertence ao segundo grupo — e é com essa coleção de sambas que atravessou gerações intactas que ele desembarca em Vila Velha no próximo dia 15 de agosto, sábado, para um show inédito no Festival Movimento Cidade, no Parque da Prainha.
 
A apresentação capixaba se soma ao ciclo de celebrações que o sambista vem conduzindo desde que completou 40 anos de estrada, marco que abriu uma das temporadas mais movimentadas de sua carreira. O projeto começou com a gravação de um DVD ao vivo no Engenhão, no Rio de Janeiro, em 4 de fevereiro — mesmo dia de seu aniversário —, com participações de Alcione, Seu Jorge, Jorge Aragão, Xande de Pilares, Diogo Nogueira, Djonga e Marcelo D2, e desde então se desdobrou em uma turnê por capitais como São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Salvador, Recife, Fortaleza e Natal. O Espírito Santo entra agora nessa rota.
 
O roteiro que Zeca tem levado aos palcos funciona menos como lista de sucessos e mais como linha do tempo. "Camarão Que Dorme A Onda Leva", "Verdade", "Faixa Amarela", "Vai Vadiar", "Judia de Mim", "Maneiras", "Coração Em Desalinho", "Seu Balancê", "Mutirão do Amor", "Ogum", "Lama Nas Ruas" e "Deixa A Vida Me Levar" costuram trinta e poucos anos de fonografia do samba brasileiro em cerca de duas horas de espetáculo. A montagem tem projeções assinadas por Batman Zavarese e cenário de Zé Carratu — um cuidado visual que contrasta, de propósito, com a informalidade de roda de samba que é a marca registrada do artista no palco.
 
A trajetória que sustenta esse repertório começou nas rodas do subúrbio carioca, com passagem decisiva pelo Cacique de Ramos, e ganhou projeção nacional nos anos 1980, quando Beth Carvalho apresentou o então jovem sambista de Xerém ao país. De lá para cá, foram 25 álbuns, mais de 12 milhões de cópias vendidas e quatro Grammys Latinos. Em 2021, a revista Veja o incluiu entre os 30 cariocas que mudaram a história da cidade nas três décadas anteriores.
 
Nos últimos anos, Zeca também alargou a geografia do próprio samba, com turnês pelos Estados Unidos, Europa e Ásia — incluindo a apresentação no Dia Nacional do Brasil na Expo de Osaka, no Japão. Mais recentemente, lançou o single "Fé e Esperança", composição inédita de Zé Roberto e Adilson Bispo, gravada com a participação do neto, Noah, em um encontro de gerações que diz muito sobre o lugar que o artista escolheu ocupar: o de elo entre o samba que aprendeu e o que virá depois dele.
 
Zeca foi a primeira atração anunciada para a edição de 2026, ainda em dezembro, e ancora uma programação que reúne mais de 15 atrações em cerca de 20 horas de música ao longo de três dias.
 
A abertura, na sexta-feira (14), tem entrada gratuita mediante doação de 1kg de alimento não perecível, com Gaby Amarantos, Ajulliacosta — vencedora do Best New International Act no BET Awards 2025 —, Ury Vieira e Roberta de Razão. No sábado (15), Zeca divide a noite com Emicida, que traz a Racional MCMV Tour, além de Urias, Fabriccio, O Kannalha e o projeto inédito Budah Convida, em que a capixaba recebe Duquesa, MC Luanna e Lourena. O domingo (16) encerra com Maré Tardia, o encontro inédito de Rachel Reis com Marina Sena, Marcelo D2 e João Gomes.
 
Criado em 2018, o festival cresceu apoiado no cruzamento entre música, audiovisual, artes urbanas e ações formativas — e chegou a 100 mil pessoas em 2025, edição que passou por Pabllo Vittar, Marina Sena e Caetano Veloso. Segundo a sócia-diretora Luísa Costa, o evento já integra o circuito nacional dos grandes festivais: público de nove estados e do Distrito Federal garantiu ingressos antecipadamente. O tema desta edição, "Cidade são pessoas", resume a aposta.
 
Num festival que mistura tecnobrega, rap, piseiro e pop periférico, caberia perguntar o que faz um sambista de 67 anos no meio disso. A resposta o próprio Movimento Cidade parece ter dado ao abrir o anúncio de 2026 justamente com ele: em qualquer geografia da música brasileira, Zeca Pagodinho continua sendo uma linguagem comum.
 
SERVIÇO
 
Festival Movimento Cidade 2026 — 8ª edição
Quando: 14, 15 e 16 de agosto de 2026 (Zeca Pagodinho se apresenta no sábado, 15)
Onde: Parque da Prainha, Vila Velha (ES)
Ingressos: à venda pelo Sympla.
 
Sexta-feira (14) com entrada gratuita mediante doação de 1kg de alimento não perecível. Line-up sexta-feira: Roberta de Razão, Ury Vieira, Ajulliacosta e Gaby Amarantos 
 
Line-up sábado: Zeca Pagodinho,Fabriccio, O Kannalha, Budah convida Duquesa, MC Luanna e Lourena, Urias e Emicida 
 
Line-up domingo: Maré Tardia, Rachel Reis com participação especial de Marina Sena, Marcelo D2 e João Gomes 
 
(Por Brendha Zamprognio - LR Comunicação)
 

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