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 Ione Reis resgata suas origens afro-indígenas em nova exposição  na Galeria Homero Massena

Ione Reis resgata suas origens afro-indígenas em nova exposição na Galeria Homero Massena

“Vermelho Urucum”: com abertura no dia 09 de outubro, primeira exposição individual da artista celebra a culinária do beiju e os costumes ligados ao urucum (Foto: Mayra Azzi)

Unindo memórias de sua infância com vivências em quilombos e aldeias, Ione Reis resgata saberes ancestrais partilhados entre comunidades negras e indígenas em sua primeira exposição individual institucional, “Vermelho Urucum”, com curadoria da pesquisadora e artista visual, Charlene Bicalho. A abertura será no dia 09 de outubro, das 17h às 20h, na Galeria Homero Massena, e a exposição segue aberta para visitação até 12 de dezembro. Mais informações estão disponíveis no Instagram da artista: instagram.com/ionereisart/

Em “Vermelho Urucum”, a artista baiana e residente no Espírito Santo traz o retorno às tradições afro-indígenas como reparação histórica e perpetuação das suas formas de cura, afeto e fortalecimento, destacando seus costumes ligados à natureza e sua importância fundamental na formação da cultura brasileira.

Urucum como fonte de memória

Com o uso da tintura do Urucum em suas obras, passando pela colheita, pelo pilão e pela peneira, Ione mergulhou num processo criativo que resgatou suas vivências no quintal da infância, quando brincava com o fruto, com a terra e aprendia diversas tradições com sua família.

“A ideia de pintar com o urucum veio das minhas memórias de infância. No quintal da minha casa, havia um pé de urucum e eu brincava muito com as tintas. Nossas brincadeiras de crianças eram rodeadas dessa árvore e dos seus frutos, que a gente usava para pintar coisas, criar bichinhos e bonecas. O costume de peneirar e pilar o urucum sempre foi praticado pela minha família, por meus pais e avós”, relembra Ione.

Ancestralidade como força viva

Assim, Ione resgata nas obras as histórias de seus avós, de familiares, dos territórios originários, da relação com a terra, com o plantio e o convívio comunitário. A artista apresenta, ainda, obras que celebram tradições como o Congo e o Ticumbi, iguarias ancestrais como o Beiju, referências a Orixás e diversas representações afro-indígenas que atravessam passado e presente, indo dos quilombos e aldeias até as periferias urbanas.

Parte da criação das obras foi realizada durante a imersão de Ione Reis na Residência Artística Terra Saúva, integrando o Programa “Habitar os Vínculos”, localizado no Cerrado da região de Botucatu, em São Paulo. A artista também se inspirou nas pesquisas e vivências que realizou em comunidades quilombolas de Conceição da Barra e na Aldeia Guarani de Aracruz, no Espírito Santo.

A exposição representa um marco na carreira de alcance nacional e internacional da artista, com sua poética afro-indígena e o uso de pigmentos naturais, pinturas e instalações que investigam memória, território, ancestralidade e resistência.

Ione Reis é multiartista e arte-educadora, nascida em 1997, em Itabatã, Bahia. Desde 2016, vive e trabalha em Vitória, ES. É bacharel em Artes Plásticas pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Sua pesquisa articula memória, território e ancestralidade a partir de uma poética afro-indígena, na qual a pintura, os pigmentos naturais, a instalação e outras linguagens constroem uma prática que a artista denomina “Artevivência”. Seu trabalho investiga as relações entre corpo, território e resistência, evocando saberes ancestrais e experiências afro-diaspóricas. Com trajetória nacional e internacional, participou de exposições e projetos no Brasil, na África do Sul e no Peru, incluindo participação no Festival Nosotras Estamos en la Calle, em Lima. Também colaborou com iniciativas ligadas à ONU. Integra o coletivo nacional Trovoa e o acervo permanente do Museu de Arte do Espírito Santo (MAES). Em 2025, recebeu o Prêmio de Honra ao Mérito Cultural e foi condecorada como Comendadora do Estado do Espírito Santo pela Assembleia Legislativa, em reconhecimento à sua contribuição para a cultura.

Charlene Bicalho é pesquisadora, curadora independente e artista visual, e estudante de PhD no Departamento de Estudos Latino-Americanos da Universidade do Texas em Austin (EUA). Na Benson Latin American Collection, atua junto ao Black Diaspora Archive, desenvolvendo pesquisas sobre memória e histórias da diáspora negra nas Américas. Compreende a curadoria como prática de acompanhamento, pesquisa e construção conjunta. É idealizadora do Projeto Raiz Forte e cofundadora do Projeto Raiz Forte Espaço de Criação. Também é idealizadora e mentora do projeto [DES]manches, por meio do qual acompanha artistas e projetos institucionais. Realiza trabalhos artísticos comissionados, e participa de comissões de seleção de projetos artísticos/culturais.

SERVIÇO

Exposição “Vermelho Urucum” - Ione Reis

 Abertura - 09 de outubro, 17h às 20h
Visitação - 09 de outubro a 12 de dezembro

 Galeria Homero Massena

Rua Pedro Palácios, 99 - Cidade Alta, Centro de Vitória (ES)

 

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