A indústria do Espírito Santo liderou o crescimento da produção industrial do Brasil. A atividade industrial capixaba avançou 17,7% em comparação com os oito primeiros meses de 2025, resultado acima da média nacional (+0,8%). O Estado liderou o ranking dos 18 locais pesquisados pelo IBGE, seguido por Pernambuco (+13,9%) e Mato Grosso do Sul (+7,1%).
Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM-PF), divulgada na última quinta-feira (8) pelo IBGE e compilada pelo OBSERVATÓRIO FINDES. Os bons resultados da indústria capixaba se devem ao avanço da indústria extrativa e de transformação.
Para o presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (FINDES), Paulo Baraona, o resultado demonstra a força da indústria capixaba e a importância de transformar o crescimento da atividade em oportunidades para toda a economia estadual.
“Liderar o crescimento industrial do país é um resultado importante para o Espírito Santo e demonstra a força de setores estratégicos da nossa economia. O desafio agora é ampliar esses resultados, atrair novos investimentos e fazer com que esse crescimento se espalhe por todo o setor produtivo. O avanço da indústria de transformação é especialmente relevante porque significa agregar valor ao que produzimos, diversificar a atividade industrial e gerar mais riqueza, empregos qualificados e oportunidades para os capixabas”, afirma Baraona.
Indústria extrativa impulsiona o crescimento
O destaque capixaba na produção industrial se dá pelo crescimento da indústria extrativa, cuja produção avançou 26,5% no acumulado do ano até agosto, impulsionada pelo aumento da produção de petróleo, gás natural e pelotas de minério de ferro.
Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a produção média de petróleo no Espírito Santo atingiu 252,9 mil barris por dia entre janeiro e agosto de 2026, alta de 40,4% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Já a produção média de gás natural no Espírito Santo totalizou 7,2 milhões de m³ por dia entre janeiro e agosto de 2026, tendo crescimento de 57,6% frente ao mesmo período de 2025.
A produção offshore, neste mesmo período de comparação, avançou 58,2%, por conta do crescimento no campo de Jubarte (+53,6%) e no FPSO Maria Quitéria, que produziu uma média de 2,7 milhões metros cúbicos por dia no período, correspondendo a cerca de 54,9% de sua capacidade de 5 milhões de metros cúbicos.
“O maior volume produzido no ambiente offshore foi sustentado pelo FPSO Maria Quitéria, que operou com produção média de 68,6 mil barris por dia, correspondente a cerca de 68,6% de sua capacidade instalada de 100 mil barris diários. O campo de Wahoo, pertencente à PRIO, também contribuiu positivamente, registrando média de 29,8 mil barris por dia entre março e agosto e avanço de 20,6% no acumulado do ano até agosto em relação ao mesmo período de 2025”, explica Marília.
A produção onshore cresceu 11,1% no acumulado do ano até agosto, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Já a produção média de gás natural no Espírito Santo totalizou 7,2 milhões de m³ por dia entre janeiro e agosto de 2026, crescimento de 57,6% em relação ao mesmo período de 2025.
Indústria de transformação apresenta crescimento
A indústria de transformação apresentou crescimento de 4%, entre janeiro e agosto de 2026 frente ao mesmo período de 2025, com destaque para o avanço da metalurgia (+2%) e da fabricação de produtos de minerais não metálicos (+1,6%).
Na metalurgia, o desempenho foi acompanhado pela expansão das exportações de produtos siderúrgicos. “As vendas externas capixabas do segmento alcançaram US$ 1 bilhão (aproximadamente R$ 5 bilhões) entre janeiro e agosto de 2026, alta de 21,6% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC)”, explica Marília. O movimento reflete, entre outros fatores, o redirecionamento de vendas para mercados europeus, como França, Alemanha, Polônia, Espanha, Holanda e Itália.
No mesmo período, a fabricação de produtos alimentícios recuou 2,9%, enquanto a produção de celulose, papel e produtos de papel caiu 5,7%.
Segundo a economista-chefe da FINDES e gerente executiva do OBSERVATÓRIO FINDES, Marília Silva, o resultado da cadeia de celulose está relacionado a um cenário externo mais desafiador, com redução da demanda chinesa, além de custos logísticos e incertezas econômicas.
Outros dois fatores também influenciaram este resultado. Em agosto de 2025, a Suzano anunciou corte de 3,5% na produção de celulose, para o período dos próximos 12 meses (até agosto de 2026). O terceiro trimestre de 2026 também foi marcado por uma parada programada na Linha C da Suzano, a maior entre as três linhas da planta, em Aracruz (ES), conforme publicado pela companhia. A linha parada tem capacidade anual de 920 mil toneladas. “Como efeito de comparação, as linhas A e B possuem capacidades de 590 mil e 830 mil toneladas, respectivamente. Esse conjunto de fatores representa desafios para o segmento de celulose e ajuda a contextualizar o resultado observado no período”, comenta Marília.
(Por Rita Benezath com informações do OBSERVATÓRIO FINDES)