O projeto Arranjos Produtivos – Semeando Desenvolvimento com Sustentabilidade, desenvolvido pela Casa dos Municípios da Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales), vem consolidando, ao longo dos últimos anos, uma política de fortalecimento da agricultura familiar e de desenvolvimento regional no Estado.
Com ações voltadas à geração de renda, diversificação da produção e incentivo à sustentabilidade no campo, a iniciativa ampliou o apoio aos produtores rurais capixabas por meio da entrega de mudas, insumos, assistência técnica e incentivo à inovação nas propriedades. O programa se tornou reconhecido nacionalmente, ao vencer o Prêmio Assembleia Cidadã da Unale (União Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais), na categoria Projetos Especiais.
Segundo o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Marcelo Santos (União), o que torna o Arranjos Produtivos importante é justamente o impacto direto que ele gera para quem está no campo. “A distribuição de mudas vem acompanhada de orientação técnica e isso ajuda o agricultor a produzir melhor, diversificar a lavoura e aumentar as possibilidades dentro da propriedade. É um projeto que vem apresentando resultado real em diferentes regiões do Estado”, completa.
Para a secretária da Casa dos Municípios, Joelma Costalonga, os resultados mostram a dimensão desse trabalho. “Em pouco mais de dois anos, já foram entregues mais de 2,5 milhões de mudas de diversas culturas, como café, cacau, maracujá, uva, morango, acerola, pupunha, citrus, abacate, goiaba e outras espécies adaptadas às diferentes regiões capixabas. Além disso, mais de 20 mil agricultores familiares já foram beneficiados diretamente e indiretamente pelas ações do projeto em 36 municípios do Estado”, afirma.
Apoio ao pequeno e diversificação
Entre as principais entregas do programa está o apoio direto ao produtor rural, não só por meio da distribuição de mudas e insumos agrícolas, mas de assistência técnica. Segundo Costalonga, tudo isso permite melhores condições de produção e estímulo à renovação das lavouras. “O diferencial do projeto está na presença constante junto ao produtor rural. Não se trata apenas de entregar mudas; trata-se de levar conhecimento, orientação técnica, planejamento produtivo e novas oportunidades para quem vive da terra”, assegura.
A assistência técnica oferecida aos agricultores tornou-se um dos pilares mais relevantes da iniciativa, especialmente no incentivo à diversificação de culturas. Segundo o consultor técnico do programa, Douglas Gasparetto, o Arranjos Produtivos devolveu segurança e perspectiva para milhares de famílias rurais. “Muitos produtores dependiam exclusivamente de uma única cultura e ficavam vulneráveis às oscilações climáticas e de mercado. Com o projeto, passaram a conhecer novas alternativas produtivas, diversificando suas propriedades e criando novas fontes de renda”, garante.
Segundo Gasparetto, existe algo ainda mais importante: a valorização do agricultor. “Quando uma equipe técnica visita uma propriedade, escuta as necessidades daquela família e constrói soluções junto com ela, acontece algo que vai além da produção. O produtor passa a perceber que não está sozinho”, completa.
Permanência no campo
Segundo Joelma Costalonga, o projeto fortalece a permanência das famílias no campo, incentiva os jovens a enxergarem oportunidades na atividade rural e ajuda a construir um futuro mais sustentável para as próximas gerações. “É muito gratificante retornar a uma propriedade meses após a entrega das mudas e encontrar uma lavoura se desenvolvendo, uma nova cultura sendo implantada ou uma família comemorando a primeira colheita de uma atividade que antes nem fazia parte da sua realidade”, se emociona.
Joelma lembra o prêmio nacional, mas destaca que o maior prêmio continua sendo o sorriso do produtor quando ele percebe que sua propriedade está produzindo mais, com mais qualidade e com novas oportunidades de renda.
Fortalecimento da agroindústria
Outro eixo que ganhou destaque ao longo da execução do projeto foi o fortalecimento das agroindústrias familiares. O apoio à agroindustrialização permite agregar valor à produção rural, ampliar mercados consumidores e estimular o empreendedorismo no campo.
“Quando o produtor vende apenas a matéria-prima, ele recebe um valor limitado pelo seu trabalho. Mas, quando consegue beneficiar, processar e comercializar seu produto, passa a agregar valor à produção e ampliar significativamente sua renda”, explica Joelma.
O projeto atua também apoiando associações, cooperativas e agroindústrias familiares, auxiliando processos de organização, capacitação, orientação técnica e acesso a mercados. “Na prática, isso significa mais empregos locais, fortalecimento da economia dos municípios e maior autonomia para os agricultores. É uma forma de garantir que a riqueza gerada no campo permaneça nas próprias comunidades rurais”, explica Gasparetto.
Crédito de carbono: preservação ambiental e geração de renda
O projeto Arranjos Produtivos também passou a incorporar, mais recentemente, ações ligadas à sustentabilidade e à economia verde, com destaque para a pauta do crédito de carbono. O tema vem sendo defendido como uma oportunidade estratégica para o Espírito Santo, especialmente para os produtores rurais que preservam áreas ambientais e adotam práticas sustentáveis em suas propriedades.
De acordo com Gasparetto, daqui a 90 a 120 dias a tramitação dos processos que foram assinados em abril deve finalizar, e os primeiros produtores que assinaram os contratos devem começar a receber.
Mais municípios alcançados
O futuro do projeto passa pela ampliação do alcance e pelo aprofundamento dos resultados já conquistados. De acordo com Costalonga, a meta é continuar expandindo as ações para todas as regiões do Espírito Santo, fortalecendo a assistência técnica, ampliando a diversificação produtiva e incentivando novas oportunidades para os agricultores familiares. “Também há um olhar especial para a inovação, a sustentabilidade e o fortalecimento das agroindústrias, criando condições para que o produtor não apenas produza mais, mas produza melhor e tenha maior valor agregado em sua atividade”, completa.
A secretária afirma que o Arranjos Produtivos nasceu para semear desenvolvimento. “Hoje, já vemos os frutos surgindo em centenas de comunidades rurais. E o próximo passo é fazer com que esses frutos alcancem ainda mais famílias capixabas, gerando renda, dignidade e oportunidades para quem ajuda a alimentar o Espírito Santo todos os dias”, conclui.