As imagens do sistema de câmeras do galpão que abriga o Arquivo Público do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) podem auxiliar a perícia a identificar o local onde o incêndio que atingiu o imóvel em Jardim Limoeiro, na Serra, teve início na manhã de terça-feira (21), e destruiu parte do acervo do tribunal.
A informação foi divulgada pelo subcomandante do 8º Batalhão do Corpo de Bombeiros, major Willi, nesta quarta-feira (22), durante entrevista à TV Vitória/Record.
Segundo o major, o Corpo de Bombeiros e a Polícia Científica atuam em conjunto na investigação. Os trabalhos periciais já começaram, mas a entrada no interior do galpão só foi possível após a redução da temperatura e o avanço do rescaldo.
“Foi passado para os colegas que tem a imagem do provável local onde se iniciou. Então, a partir daí, delimitando essa zona de origem, se torna mais fácil o trabalho pericial de poder separar uma área específica para estudo.”
Major Willi, Corpo de Bombeiros
De acordo com o oficial, a perícia do Corpo de Bombeiros busca identificar a causa e o ponto de origem do incêndio, enquanto os laudos também servirão de base para o inquérito conduzido pela Polícia Civil.
Embora as equipes tenham iniciado levantamentos ainda na terça-feira, o calor intenso impediu o acesso ao interior da estrutura. Mesmo assim, foram produzidos mapas, croquis e coletadas informações que serão utilizadas durante a investigação.
O major ressaltou que ainda não é possível afirmar o que provocou o incêndio. “Não posso precisar isso. Só a perícia vai poder”, disse.
Rescaldo continua e perícia deve durar mais de 20 dias
Segundo o Corpo de Bombeiros, nesta quarta-feira (22) o trabalho está concentrado na conclusão do rescaldo e na eliminação de focos de calor remanescentes, etapa necessária para garantir a segurança dos peritos.
Assim como ocorreu no primeiro dia da ocorrência, máquinas pesadas cedidas pela Prefeitura da Serra foram utilizadas para remover materiais e abrir acessos ao interior do galpão.
O major explicou que o laudo pericial do Corpo de Bombeiros tem prazo inicial de 20 dias, mas poderá ser prorrogado devido à dimensão da área atingida e à complexidade da análise.
“É uma área muito extensa, vai demandar muito estudo, vai demandar algumas visitas aqui no local.”
Major Willi, Corpo de Bombeiros
Incêndio destruiu cerca de 2,1 milhões de processos
De acordo com o secretário-geral do TJES, Anselmo Laranja, o incêndio destruiu aproximadamente 2,1 milhões de processos arquivados no galpão.
Segundo ele, todos os documentos atingidos já estavam encerrados. Parte do acervo havia sido digitalizada e outra parte já estava apta para descarte.
O secretário informou ainda que o incêndio também atingiu cerca de 10.700 bens inservíveis, avaliados em aproximadamente R$ 1 milhão, que seriam destinados a leilão. Equipamentos de uso permanente, como computadores armazenados em outro local, não foram afetados.
Ainda segundo o TJES, não haverá interrupção dos serviços do tribunal. Nos casos em que algum processo físico destruído não tenha sido digitalizado e precise ser consultado, a instituição informou que possui procedimentos previstos na legislação para a restauração dos autos.
Comitê acompanha recuperação
Após o incêndio, o Tribunal de Justiça criou um Comitê de Articulação Emergencial para coordenar as medidas de recuperação.
O grupo será responsável por acompanhar os levantamentos técnicos sobre os danos, elaborar planos de resposta e recuperação, definir estratégias para restauração e eventual reconstrução de processos atingidos, além de adotar medidas para preservar o patrimônio documental que não foi afetado. (Fonte: Folha Vitória)