A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) informou que está confirmada uma morte em decorrência de febre maculosa em Boa Esperança, no Noroeste do Espírito Santo, em 2026. A informação foi dada à reportagem no sábado à noite (15), com base em dados computados até quinta-feira (13). É o caso de uma criança de 2 anos e 4 meses, identificada como Kyara Silva Rúbia, que morreu após contrair febre maculosa, caso que ocorreu em janeiro deste ano.
A febre maculosa é transmitida pela picada do carrapato-estrela, que pode carregar a bactéria responsável pela febre maculosa, presente em capivaras, cavalos, bois, cães, gatos e aves domésticas quando frequentam áreas rurais ou de vegetação com presença de animais silvestres.
À reportagem, na manhã desta segunda-feira (17), o secretário de Saúde da cidade, Bruno Sousa, disse que teve a confirmação da morte e que está aguardando todos os dados da Sesa. Antes de a reportagem questionar sobre o que o município fará para o controle da doença e monitoramento de quem vivia e teve contato com a vítima, o secretário disse ter convocado uma reunião com a vigilância em saúde para ocorrer ainda na manhã desta segunda-feira, para alinhar as informações e adotar as ações de vigilância e investigação epidemiológica necessárias.
A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) informou “que atua na vigilância epidemiológica, capacitação de profissionais e orientação da população quanto às medidas de proteção, cuidado e busca pelo tratamento para febre maculosa”.
“Entre as principais medidas, estão a orientação dos profissionais de saúde com foco no diagnóstico e tratamento precoce com antibióticos, essenciais para evitar mortes se administrados logo nos primeiros sintomas, a emissão de alertas para as Regionais de Saúde, alertando para a sazonalidade da doença, com maior risco no inverno e período seco, solicitando a investigação rigorosa dos casos e a notificação imediata dos casos suspeitos pelos municípios”, informou a pasta.
Em 2025 foram confirmados 19 casos de febre maculosa no Espírito Santo, com três mortes pela doença. Segundo dados do Núcleo Especial de Vigilância Epidemiológica da Sesa (NEVE/Sesa), do e-SUS VS e do GAL/Lacen, em 2026, até quinta-feira (13), o Estado somava 20 casos confirmados e 12 mortes registradas por município de residência do paciente, sendo Água Doce do Norte com um caso e um óbito, Águia Branca com um caso e nenhum óbito, Baixo Guandu com dois casos e dois óbitos, Boa Esperança com um caso e um óbito, Cachoeiro de Itapemirim com três casos e um óbito, Castelo com um caso e um óbito, Colatina com dois casos e dois óbitos, Iconha com um caso e um óbito, Itaguaçu com um caso e nenhum óbito, Marilândia com um caso e nenhum óbito, Mimoso do Sul com dois casos e dois óbitos, Pinheiros com um caso e um óbito, Santa Teresa com um caso e nenhum óbito, e São Mateus com dois casos e nenhum óbito.
O Ministério da Saúde explica que “a febre maculosa é uma doença infecciosa, febril aguda e de gravidade variável. Ela pode variar desde as formas clínicas leves e atípicas até formas graves, com elevada taxa de letalidade. A febre maculosa é causada por uma bactéria do gênero Rickettsia, transmitida pela picada do carrapato. No Brasil duas espécies de riquétsias estão associadas a quadros clínicos da Febre Maculosa”.
Os principais sintomas da Febre Maculosa são febre, dor de cabeça intensa, náuseas e vômitos, diarreia e dor abdominal, dor muscular constante, inchaço e vermelhidão nas palmas das mãos e sola dos pés, gangrena nos dedos e orelhas, e paralisia dos membros que inicia nas pernas e vai subindo até os pulmões, causando parada respiratória.
Segundo o Ministério da Saúde, “o diagnóstico oportuno da Febre Maculosa é muito difícil, principalmente durante os primeiros dias de doença, tendo em vista que os sintomas também são parecidos com outras doenças, como leptospirose, dengue, hepatite viral, salmonelose, encefalite, malária, meningite, sarampo, lúpus e pneumonia.”
“O tratamento oportuno da Febre Maculosa é essencial para evitar formas mais graves da doença e até mesmo a morte da pessoa. O tratamento está disponível no SUS. Assim que surgirem os primeiros sintomas, é importante procurar uma unidade de saúde para avaliação médica. O tratamento é feito com antibiótico específico. Em determinados casos, pode ser necessária a internação da pessoa. A terapêutica é empregada por um período de 7 dias, devendo ser mantida por 3 dias após o término da febre. A falta ou demora no tratamento da Febre Maculosa pode agravar o caso, podendo levar ao óbito”, informou o ministério.
O Ministério da Saúde informou que “devem ser adotadas algumas medidas para evitar a doença, principalmente em locais onde haverá exposição a carrapatos: use roupas claras, para ajudar a identificar o carrapato, uma vez que ele é escuro; use calças, botas e blusas com mangas compridas ao caminhar em áreas arborizadas e gramadas; evite andar em locais com grama ou vegetação alta; use repelentes de carrapatos; verifique se você e seus animais de estimação estão com carrapatos; se encontrar um carrapato aderido ao corpo, remova-o com uma pinça; não aperte ou esmague o carrapato, mas puxe com cuidado e firmeza. Depois de remover o carrapato inteiro, lave a área da mordida com álcool ou sabão e água. Quanto mais rápido retirar os carrapatos do corpo, menor será o risco de contrair a doença. Após a utilização, coloque todas as peças de roupas em água fervente para a retirada dos carrapatos.”