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Vendas de café solúvel ao exterior avançam 20% no semestre

Vendas de café solúvel ao exterior avançam 20% no semestre

Volume exportado no semestre soma 57,4 mil toneladas, apesar de queda na receita cambial (Foto/Divulgação)

As exportações brasileiras de café solúvel somaram 8,161 mil toneladas em julho de 2026 – equivalentes a 353.761 sacas de 60 kg em café verde –, volume 20% superior ao embarcado no mesmo mês do ano passado.
No acumulado do ano, a elevação foi de 10,9%. Foram acumuladas 57,4 mil toneladas entre janeiro e julho de 2026, contra 51,7 mil toneladas no mesmo período de 2025. Já a receita cambial total dos sete primeiros meses, somou US$ 663,5 milhões, recuo de 2,5% ante o mesmo intervalo do ano passado.

Os dados são da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), que declarou que a queda da receita cambial foi modesta diante do volume exportado. Para a entidade, o resultado consolida a retomada do produto no mercado internacional e vem acompanhado de um avanço igualmente expressivo no consumo doméstico. Neste contexto, a Abics destacou o Acordo de Livre Comércio entre Mercosul e União Europeia (EU) – que entrou em vigor em maio deste ano, e a isenção do café solúvel das tarifas aplicadas pelos Estados Unidos em julho. 

Durante quase um ano, o produto foi o único elo da cadeia cafeeira nacional a permanecer sobretaxado pelos norte-americanos. Sobre a divulgação do balanço das exportações do café solúvel no primeiro semestre de 2026, o diretor executivo da Abics, Aguinaldo Lima, disse:

“São conquistas, contudo, recentes demais para explicar os volumes já embarcados. Nenhuma das duas medidas teve tempo de se refletir integralmente nos números de julho, mas o que já se enxerga é a reação desses mercados. Os embarques para a UE cresceram 51,4% entre maio e o fim de julho, somando 5,2 mil toneladas e as remessas aos EUA voltaram a crescer no mês passado, 9,5% acima de julho de 2025, com 1,3 mil toneladas. O efeito pleno das duas conquistas deve aparecer a partir do segundo semestre”.
 
O Espírito Santo é o maior produtor de conilon do país, e o segundo maior produtor de café no Brasil.  O presidente do Sindicato dos Corretores de Café do Estado do Espírito Santo (SCCES), Marcus Magalhães, explica que, em anos anteriores, o mercado registrou cotações excepcionais para o café e, em uma comparação com o momento atual, é normal uma retração da receita cambial do solúvel: “Da mesma maneira que a matéria-prima [commodity] cedeu de preço, o valor exportado do solúvel também caiu, porque é tudo um ciclo”. 

A exportações de café solúvel pelo Espírito Santo totalizaram US$ 93,2 milhões no primeiro semestre de 2026, uma queda de 18,3% em relação ao mesmo período de 2025, segundo dados da Secretaria de Estado da Agricultura (Seag).  No caso capixaba, o volume embarcado também recuou (- 8,9%) na comparação anual. Os Estados Unidos foram o principal mercado, com US$ 31,2 milhões em compras.

Para o presidente do SCCES, a medida em que a sobretaxa dos EUA foi retirada, o mercado voltou a fluir. “O solúvel embarcou mais porque as tarifas caíram e, bem ou mal, gerou a liquidez que o mercado esperava para poder girar a roda”, disse. 

Magalhães acredita que com a isenção da tarifa norte-americana, e o alcance gradual da alíquota zero daqui a quatro anos no Mercosul-UE, o café solúvel vive um cenário promissor, com estímulo a competitividade e entrada em vários mercados.

“Se o Estados Unidos não voltar atrás com as tarifas, será muito bom. E o Espírito Santo sai na frente, porque nós temos três fábricas de café solúvel aqui, com 90% do destino para exportação. Quanto mais a gente exportar, mais o solúvel vai ficar agressivo no mercado comprando café, o que ajuda a sustentar os preços internos”.

(Por Amanda Amaral)

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