A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta quarta-feira (7), a Operação Hidra, que tem como alvo integrantes do Terceiro Comando Puro (TCP) no Morro do Romão e no Forte São João, em Vitória. Ao todo, são cumpridos 20 mandados de busca e apreensão e 15 mandados de prisão.
Até o momento, 11 pessoas foram detidas.
Segundo a Polícia Civil, as investigações começaram a partir de um trabalho de inteligência e de campo, com apoio do 1º Batalhão da Polícia Militar.
De acordo com as apurações, o grupo criminoso mantinha equipes de olheiros em pontos estratégicos e mirantes das comunidades. Eles utilizavam rádios comunicadores e grupos de WhatsApp para acompanhar a movimentação de policiais.
As apurações também apontaram que integrantes do grupo ostentavam armas de fogo, faziam ameaças de morte e utilizavam explosivos contra moradores para impor regras e manter o controle das comunidades.
Ainda segundo a Polícia Civil, o grupo estaria envolvido com a venda de drogas e com a realização de eventos usados para arrecadar dinheiro para a organização criminosa.
A operação é coordenada pelo chefe do Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DEHPP), delegado Luiz Gustavo Ximenes, e conta com a participação do delegado-geral da Polícia Civil, Jordano Bruno, e do delegado-geral adjunto, Fabrício Dutra.
O delegado Luiz Gustavo Ximenes, explicou que as investigações apontaram que eventos realizados nas comunidades eram usados para arrecadar dinheiro e movimentar o tráfico de drogas.
Segundo o chefe da DEHPP, a Polícia Civil também recebeu denúncias sobre o uso de explosivos por traficantes para intimidar moradores.
"A gente recebeu diversas denúncias de que explosivos eram usados por traficantes do Romão para intimidar moradores e estamos apurando ainda. A gente está dando continuidade às investigações para provar que os explosivos eram utilizados.”
O delegado-geral da Polícia Civil, Jordano Bruno, afirmou que os principais integrantes da organização criminosa foram identificados. Segundo ele, a operação conseguiu prender desde olheiros até responsáveis pela gerência do tráfico.
Jordano Bruno também afirmou que os investigados utilizavam armas para intimidar moradores.
“Foi mapeado de forma meticulosa toda essa ação, que possibilitou chegar na região e dar uma resposta que a população pediu e vai deixar a região mais tranquila. Dessa forma, a gente traz mais tranquilidade. Indivíduos que andavam ostentando armamentos estão presos.”
Cerca de 130 agentes das forças de segurança participam da operação.
A ação conta com apoio da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core), do Departamento Especializado de Narcóticos (Denarc), do Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic), do Núcleo de Operações Táticas Aéreas (Notaer), de outras unidades da Superintendência de Polícia Especializada (SPE), além da Polícia Penal do Espírito Santo (PPES) e da Polícia Militar (PMES).
O nome da operação faz referência à Hidra de Lerna, criatura da mitologia grega representada como um monstro de várias cabeças. Segundo a Polícia Civil, a escolha simboliza a estrutura e as ramificações do grupo criminoso investigado.
(Fonte: Jaciele Simoura / A Gazeta)