Como fruto de sua participação em uma audiência da Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa (Ales), o médico Mayke Armani Miranda apresentou na Tribuna Popular da Casa, nesta quarta-feira (3), uma proposta da Associação dos Funcionários Públicos do Espírito Santo (AFPES) para apoiar a saúde dos profissionais de Segurança do Estado – policiais e bombeiros militares, civis e penais.
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O Programa Segurança com Saúde nasceu da discussão na audiência pública da comissão e, segundo Mayke, a AFPES entendeu que poderia contribuir com a solução a partir do diagnóstico que fez da situação naquele encontro: o estresse em grau maior do que os servidores em geral, saúde mental comprometida e a insegurança de poder ser internado no mesmo ambiente que pessoas em conflito com a lei.
“Dentro disso, apresentamos a proposta de acolher na necessidade ambulatorial, nas áreas de saúde mental e generalista e de internação. Mapeamos o Espírito Santo e dividimos em quatro regiões, com rede de apoio para esse grupo de servidores e seus familiares, tendo como referência Colatina, Cachoeiro, São Mateus e nossas unidades na Região Metropolitana”, disse Mayke.
De acordo com o médico representante da diretoria da AFPES, os custos seriam cobertos pelo próprio SUS, sem que essa especificidade de atendimento aos servidores da segurança implique em “furar fila”.
Para implementar o projeto, Mike disse que a associação necessitaria aportar R$ 5,7 milhões anuais, que viriam de emendas parlamentares, para investir em reformas e adaptações para garantir a segurança desse servidor e a expansão do ambulatório.
“Ouvimos que esses servidores tinham acesso antes a ambulatórios locais e a ideia é que volte isso. Vamos otimizar espaços que precisam de adaptações. No hospital teremos uma ala de 10 a 20 leitos para atender a esse grupo”, disse.
Saúde na Serra
A saúde pública também foi tema da fala de Elias de Souza, do Conselho Local de Saúde da Unidade Regional de Saúde do bairro Feu Rosa, na Serra. Além de apresentar as demandas por serviços na rede pública, o convidado criticou o envio de pacientes, pela central de regulação, para o interior do Estado.
“Sempre vimos pessoal do interior vindo para a Grande Vitória para atendimento, mas parece que a coisa mudou. Pessoas de Serra estão sendo enviadas para hospitais de Aracruz e Baixo Guandu, quando isso poderia ser feito na Grande Vitória. As pessoas são humildes e não têm como arcar com essas despesas de transporte e alimentação”, disse Elias de Souza.
O conselheiro, que é eletricista e operário da construção civil, exerce a função voluntariamente. Ele agradeceu ao governo do Estado pelos investimentos em estrutura física na Serra, mas disse estranhar “o desmantelamento da saúde pública do município”.
Apoio a surdos
Presidente da Associação Profissionalizante e de Apoio aos Surdos e Outras Deficiências (Apasod), Marcelo Rogano Cabanas dividiu a fala com a diretora de comunicação da entidade para apresentar os serviços prestados há 13 anos no apoio a pessoas com deficiência auditiva.
Ele citou, por exemplo, apoio jurídico e investimentos em cirurgias restauradoras da audição, quando possível. Outro ponto relevante é a capacitação que a Apasod promove para seu público com foco no mercado de trabalho. O resultado é um banco de profissionais qualificados à disposição de empresas que possuem vagas em seus quadros.
Combate a desigualdades
O Grito dos Excluídos também esteve em destaque na Tribuna Livre. O coordenador do Fórum Igrejas e Sociedade em Ação da Arquidiocese de Vitória, Giovanni Livio, falou sobre a mobilização para o 7 de setembro, em paralelo às comemorações da Independência do Brasil.
“Há 31 anos o grito dos excluídos denuncia desigualdades sociais e a violência contra o povo, dando voz aos grupos marginalizados da sociedade. O grito este ano em Vitória começa a partir das 8 horas no Portal do Príncipe e caminha até o Palácio Anchieta como um momento de reflexão, de fé e de luta. Na praça tornaremos público o grito desse ano”, disse Giovanni.
Antes, o movimento era organizado somente em Vitória, mas no próximo domingo estará ocorrendo nas quatro dioceses do Estado. “Esse ano, mais do que nunca, precisamos lutar pela democracia, em defesa da soberania brasileira”, disse Livio.