A qualidade dos serviços de teleflagrante da Polícia Civil do Espírito Santo foi discutida no plenário da Assembleia Legislativa, na sessão desta quarta-feira (10). O deputado estadual Coronel Weliton (PRD) levantou o assunto, abordado também pelos colegas Danilo Bahiense (PL) e Mazinho dos Anjos (PSDB).
Coronel Weliton sugeriu à Secretaria de Estado de Segurança Pública que aperfeiçoe o sistema de teleflagrante, utilizado nos finais de semanas, feriados e fora do horário de expediente na maioria dos municípios capixabas. Segundo ele, é preciso haver mais atendimento presencial, “porque o teleflagrante causa transtornos para a polícia e também para testemunhas, vítimas e advogados, que sempre reclamam muito”.
“O cidadão não pode ter uma delegacia de Polícia que funciona somente no horário do expediente. Apesar de os quadros da Polícia Civil serem reduzidos hoje, ainda assim há delegados suficientes para indicar um representante em cada município para dar à comunidade um atendimento e acolhimento dignos”, disse Coronel Weliton.
De acordo com o parlamentar, há casos em que policiais precisam se deslocar em viaturas por até oito horas e ainda têm de ficar esperando na fila para atendimento.
Em aparte, o deputado Mazinho dos Anjos enfatizou que a situação está sendo enfrentada pelo governo do Estado por meio do concurso público que será lançado em breve “com a abertura de mil vagas de oficial investigador da Polícia Civil”.
Em seu momento de fala, Bahiense agradeceu ao governador Renato Casagrande pela nomeação de 1.500 policiais civis quando ocupou o Palácio Anchieta pela primeira vez, em 2012, e enfatizou que “o problema é de gestão”.
“Em 2011, com um efetivo reduzido, fui superintendente de Polícia do interior e ampliamos os plantões em várias cidades. Hoje, mesmo com efetivo reduzido, é possível, sim, melhorar os serviços. O teleflagrante é um problema também para a efetividade do serviço policial, porque o delegado que faz o teleflagrante, a distância, é quem preside o inquérito e encaminha à Justiça e o delegado da região não fica sabendo de detalhes, prejudicando seu trabalho”, relatou.
A Central de Telefragrantes da Polícia Civil do Espírito Santo foi implantada em 2021. Fora do horário de expediente nas delegacias do interior, as ocorrências são registradas por videoconferência. O órgão considera a iniciativa como grande avanço, considerando que o uso da tecnologia permite maior número de atendimentos e eficiência na instauração de inquéritos. São registrados cerca de 35 mil atendimentos por ano com a utilização desses serviços.
Vale
Outros parlamentares abordaram outros temas na fase de discursos da sessão. A deputada Janete de Sá (PSB) fez duras críticas à Vale relativas à suspensão do serviço de transporte oferecido aos funcionários das cidades de Aracruz, João Neiva, Ibiraçu, Fundão e Viana. Ela também disse estranhar a decisão do Tribunal Regional do Trabalho, que deu ganho de causa à empresa na ação movida pelo Sindicato dos Ferroviários (Sindifer).
“Pedimos a ajuda do governador Renato Casagrande para reverter essa posição da Vale, que só sacrifica e prejudica os trabalhadores. A empresa, para ficar no Espírito Santo, precisa dar contrapartida social, mas toma uma decisão mesquinha dessa somente em busca de mais lucro”, opinou Janete.
Quebra-molas
O deputado José Esmeraldo (PDT) apresentou pedido de dois quebra-molas na rodovia estadual que liga Ibatiba à divisa com Minas Gerais, no local do antigo posto fiscal. “A comunidade me pediu para intervir e estou encaminhando a solicitação, porque motoristas abusam da velocidade nesse trecho, colocando em risco a segurança das pessoas”, disse.
Agressões em UPA
O deputado Hudson Leal (Republicanos) usou a tribuna para registrar agressões sofridas por uma médica da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Guarapari, cometidas por um vereador do município, repudiou o comportamento do parlamentar e pediu à Câmara de Vereadores que abra um processo de cassação por quebra de decoro.
“Ele ainda foi para a tribuna da Câmara mentir, dizendo que ele é quem foi agredido verbalmente pela médica, o que é desmentido por imagens gravadas por populares e pela própria profissional. O vereador disse que estava fiscalizando a médica, mas esse não é papel. Quem fiscaliza médico é o CRM (Conselho Regional de Medicina) e quem fiscaliza enfermeiro é o Coren (Conselho Regional de Enfermagem)”, disse Hudson.
Mobilidade urbana
Mazinho dos Anjos utilizou a tribuna, de forma virtual, para enfatizar os investimentos na mobilidade urbana de Vitória. “O governo do Estado acabou com o pedágio da Terceira Ponte, implantou a Ciclovia da Vida, construiu o Portal do Príncipe e reativou o Aquaviário, que vai ganhar mais três terminais, na Rodoviária, na Praça Pio XII e no Dom Bosco. O sistema já transporta 2 mil passageiros por dia e acabou de ganhar a quinta embarcação para reforçar os serviços”, disse.