As agressões de um soldado da Polícia Militar (PMES) à mulher, também militar, no último sábado (21), e a outros policiais que foram atender a ocorrência motivaram a fala de vários deputados estaduais durante sessão extraordinária realizada na tarde desta segunda-feira (23) na Assembleia Legislativa (Ales).
Segundo o Delegado Danilo Bahiense (PL), os agentes de segurança são vistos pela população como meios de proteção e que quando um policial age dessa maneira prejudica a imagem da maioria da corporação, que é formada por policiais corretos.
“Ela já vinha sendo violentada há anos por ele, inclusive, com violência financeira e o argumento dele é que se ela não cedesse ele daria um tiro na mão e no pé para ficar incapacidade para a profissão. No momento da abordagem a população tentou contê-lo, mas não conseguiu. Os policiais da guarnição também não, tendo em vista o porte físico dele, precisou de quatro policiais para dominar ele, tiveram que usar spray de pimenta e ele agrediu um sargento com um soco no rosto”, relatou.
O parlamentar, que preside a Comissão de Segurança da Casa, disse que vai solicitar uma apuração urgente da Corregedoria da PMES e que o policial deve ser punido exemplarmente.
”Situações como essas não podem ocorrer, os servidores da segurança pública são heróis, mas quando um comete um crime como esse tem que ser punido exemplarmente. Esses servidores deveriam proteger a vida das pessoas, e não agir com tamanha violência”, frisou.
Ele ainda trouxe alguns dados sobre violência contra a mulher no Espírito Santo. Em 2024 foram registrados 15.954 atendimentos pelo Ligue 180; 2.670 denúncias formais registradas (um aumento de 21% em relação a 2023); 22.985 casos de violência doméstica notificados, uma média de 62 mulheres vítimas por dia, com um aumento de 7,8% nos registros em comparação com 2023; e 39 feminicídios no ano.
Já em 2025 ocorreram 75 homicídios de mulheres (menor número desde 1996); 33 feminicídios (uma redução de 15,4% em relação a 2024); 16 feminicídios entre janeiro e julho (queda de 40,7% comparado ao mesmo período de 2024), com o mês de junho de 2025 sendo encerrado sem registro de feminicídio.
Quem também tratou do assunto foi o deputado Engenheiro José Esmeraldo (PDT), que cobrou a expulsão do policial. “Esse cara não pode voltar a vestir a farda honesta da Polícia Militar, um indivíduo desse não tem jeito mais. Olha o que ele fez com os policiais, as pessoas e a mulher dele, é um cara perigoso que com arma na cintura é capaz de tudo. Eu não acredito que ele vai voltar para os quadros da Polícia Militar”, salientou.
Janete de Sá (PSB) externou toda sua indignação com o caso. Ela classificou o fato como “um ataque covarde e violento” do soldado Marcelo Ramos de Araújo. “Um homem forte, de 32 anos, pertencente á Polícia Militar que atacou covardemente sua companheira também policial, de 26 anos”, mencionou.
Para a deputada, crimes dessa natureza contra as mulheres devem ser severamente punidos e o comando da Polícia Militar deve expulsar policiais com esse perfil. “Precisa perder a farda. Precisamos de uma seleção mais rigorosa (na PMES). Não podem integrar nossos quadros um policial que, se faz isso com a mulher, imagina numa abordagem a um cidadão comum”, afirmou.
Por fim, a parlamentar destacou que os quadros da PMES possuem homens que trabalham diuturnamente para garantir a segurança da população capixaba, mas que crimes como esse devem ser punidos rigorosamente. “Precisa de uma apuração severa e responsabilização civil, criminal e administrativa. (...) Ele não merece a qualificação e o status de fazer parte da nossa Polícia Militar”, concluiu.
Morte de cachorro em Afonso Cláudio
Outro tema de pronunciamento de Janete foi o assassinato de um cachorro em Afonso Cláudio. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram uma mulher golpeando um cachorro com um machado até a morte do animal. O crime teria ocorrido no dia 14 de fevereiro.
“A mulher brigou com o marido e desforrou no animal de estimação. Matou ele a machadadas. A perversidade escolhe os mais fracos da sociedade: os animais, as mulheres, as crianças e os idosos. Nossa sociedade está adoecida a ponto da bondade não sobreviver muito tempo”, lamentou.
Presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Maus-Tratos da Ales, a parlamentar prometeu acompanhar o caso até a punição da mulher. “Já sabemos onde encontrar essa criminosa, que se evadiu do local e fugiu do flagrante. Estamos tentando uma prisão preventiva para essa covarde ser punida com os rigores da lei por esse crime covarde e cruel”, finalizou.