“A IA é o copiloto mais potente que a história já criou. Mas um copiloto não decola o avião sozinho”, sintetizou o presidente da Assembleia Legislativa (Ales), deputado Marcelo Santos (União), durante palestra nesta quarta-feira (10) no evento “A Virada: IA transformando o desafio da mão de obra em oportunidades”, promovido pela Rede Tribuna de Comunicação.
Para o deputado, o atual momento não aponta para a substituição da força de trabalho do capixaba, mas, sim, para a potencialização desta força humana. “Quem define a rota, que toma decisão ética, quem tem sensibilidade no mercado e quem assume a responsabilidade é o ser humano. E é por isso que o nosso desafio real não é a falta de tecnologia ou recurso para tê-la. É a falta de pilotos capacitados para operá-la”, disse Marcelo.
Além do melhoramento da mão de obra com a qualificação, Marcelo Santos lembrou da ética, que deve acompanhar o ser que promove as mudanças políticas e sociais.
“O mercado exige fluidez, agilidade e adaptabilidade, mas ele também exige pessoas preparadas, éticas, responsáveis e interessadas. A IA amplifica a precisão do médico, mas não decide pelo paciente. Ela amplifica a eficiência da empresa, mas não assume a responsabilidade do erro. Inovação sem responsabilidade vira caos. Tecnologia sem ética vira arma”, refletiu o presidente do Legislativo.
Marcelo Santos ainda reforçou que o papel do humano não diminuiu com a IA, mas se torna ainda mais essencial. “A velocidade e a eficiência não podem atropelar valores. Manter o humano no comando, essa também é uma missão muito importante. E manter o humano no comando significa uma única coisa na prática: capacitação. Sem ela, não conseguiremos pilotar ao lado desse copiloto. Não existe piloto sem treinamento e não existe inovação real se as oportunidades de conhecimento não alcançarem a ponta”, concluiu.
Transformações no mercado
O economista e especialista em inovação Paulo Grigorovski, mais conhecido como Grigor, fez a palestra principal e reforçou a questão levantada pelo presidente. Ele lembrou que a IA é “uma ferramenta, é meio, potente”, e está permitindo mudar o jogo do mercado. Se antes, para suprir a demanda, aumentava-se o número de funcionários, hoje, esse jogo da quantidade está desmoronando.
“Estamos vivendo uma fase de transformações ultra-aceleradas na sociedade, na política, na economia, na tecnologia, e isso acontece de tempos em tempos. Estamos vivendo a sexta onda de inovação, desde a Revolução Industrial, em que empregos e empresas são destruídos, mas muitos empregos e empresas são criadas. Empresas são transformadas e os empregos de vários profissionais são transformados”, ressaltou Grigor.
Entre as autoridades que participaram do evento estiveram a presidente do Tribunal de Justiça (TJES), Janete Simões; a presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Érica Ferreira Neves; o desembargador do TJES Feu Rosa; e o conselheiro do Tribunal de Contas Domingos Taufner.