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Agricultura familiar aponta dificuldades no processo de produção

Agricultura familiar aponta dificuldades no processo de produção

Escassez de mão de obra no campo foi um dos problemas apontados em reunião da Comissão de Agricultura sobre a produção de hortaliças e a valorização dos feirantes (Foto: Heloísa Mendonça Ribeiro)

Deputados e representantes do setor agrícola se reuniram nesta terça-feira (7), na Comissão de Agricultura da Assembleia Legislativa, para falar sobre a produção de hortaliças e sobre a valorização dos feirantes no Espírito Santo. De acordo com o presidente da Comissão de Rastreabilidade da Central de Abastecimento do Espírito Santo (Ceasa-ES), Marcos Magalhães, foram movimentadas no primeiro semestre deste ano, 3,3 mil toneladas de hortaliças.

Fotos da reunião

O gestor explicou que essas informações auxiliam o produtor a entender o mercado. “A Ceasa tem um setor que cuida só disso, da estatística. Ela colhe essas informações e distribui isso. (...) Por isso a importância de nós termos a divulgação do que é mais comercializado. (...) Em termos de hortaliças, 15% do que tem é comercializado para as feiras”, afirmou.

De acordo com o levantamento da Ceasa-ES, as principais hortaliças comercializadas são repolho, alface, couve-flor, couve-chinesa e repolho-roxo. “Tivemos também a salsa, a cebolinha, aquelas que pesam menos, mas possuem grande comercialização também. (...) A nossa Comissão de Rastreabilidade foi uma determinação nacional, que veio de Brasília através do Ministério de Agricultura e da Anvisa, para que tivéssemos em todos os estados esse acompanhamento”, explicou Marcos Magalhães.

Dificuldades

A presidente da Associação Agrícola Amparo Familiar, de Santa Maria de Jetibá, Selene Hammer Tesch, falou sobre as principais dificuldades enfrentadas pelo agricultor familiar. “Além de sofrer com as questões climáticas, tem a escassez de mão de obra e a perda de lavouras também. O que eu reivindico para todos os agricultores, da agricultura familiar, é uma atenção maior dos governantes, de levar em conta tudo que o que o agricultor sofre hoje”, lamentou. 

“Porque é muito complicado a gente ser produtor, carregador e feirante ao mesmo tempo, porque não temos mais mão de obra suficiente e também não compensa financeiramente. Se a gente contratar gente para ajudar, então não sobra nada para nós. Hoje a gente é obrigado a fazer tudo sozinha. Antigamente não, você podia escolher contratar alguém, pra poder fazer alguma coisa por você. Hoje não, hoje a gente tem que estar na ponta, senão você não tem ganho”, acrescentou a agricultora. 

A produtora acredita que o governo pode auxiliar o setor com estratégias de divulgação. “Então, o que eu gostaria que a governança fizesse hoje é promover uma estratégia de marketing para a agricultura orgânica, a agroecologia, e ter essa propaganda contínua na TV e na mídia, porque isso faz uma grande diferença. Quando a gente ouve um cliente dizer que ontem passou na TV, então você pode notar que naquele dia a banca fica vazia, você leva pouco produto de volta para casa”, concluiu Selena.

O presidente do colegiado, deputado Adilson Espíndula (PSD), concordou com a produtora sobre o problema da mão de obra. O parlamentar acredita que um dos fatores que contribuem para isso são as regras vigentes dos programas sociais do governo federal. “Eu não tenho nada contra, eu acho muito justo, eu acho que tem que ter esses programas mesmo (...) são merecedores, são pessoas de baixa renda”, pontuou.

“Mas o que eu penso? Que também pudéssemos ter uma legislação em nível federal, que mesmo essas pessoas recebendo esses auxílios do governo federal, esses auxílios sociais, que essas pessoas também pudessem assinar a carteira deles. Muitas pessoas deixam de trabalhar porque o produtor não pode contratar, porque se ele contratar e não assinar a carteira, ele é penalizado pelo Ministério do Trabalho”, complementou o deputado. Segundo acrescentou, o pagamento de diária só pode ser feito duas vezes na semana. 

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