Justiça marca audiência de PMs réus por morte de mecânico em Mantenópolis

Justiça marca audiência de PMs réus por morte de mecânico em Mantenópolis

Decisão foi tomada após cobrança jornalística sobre processo parado há seis meses; interrogatório vai acontecer no dia (7) (Crédito: Acervo pessoal)

A Justiça marcou para o dia 7 de julho a nova audiência dos cabos da Polícia Militar Allyson Augusto de Miranda e Bruno Costa Oliveira. Eles são réus pela morte do mecânico Gustavo Barbosa Batista, de 22 anos, assassinado com um tiro na nuca em novembro de 2024, em Mantenópolis, no Noroeste do estado. Os militares respondem pelos crimes de homicídio qualificado e fraude processual.

A marcação do interrogatório foi feita pelo juiz Marcelo Menezes Loureiro logo após a reportagem da Rede Notícia cobrar do Tribunal de Justiça (TJES) informações sobre o caso. A movimentação processual estava parada há seis meses, desde 23 de janeiro deste ano.

O cabo da Polícia Militar Allyson Augusto de Miranda, de 33 anos, é acusado de ter efetuado o disparo que atingiu a nuca do mecânico Gustavo Barbosa Batista, de 22 anos )Crédito: Montagem Rede Notícia)

O Tribunal de Justiça informou que “o processo tramita regularmente e sem paralisações injustificadas”, que “a ação penal já teve a fase de instrução encerrada e aguarda a decisão sobre a pronúncia ou impronúncia dos acusados ao Tribunal do Júri”, e que “em relação ao habeas corpus, a ordem foi denegada”, ou seja, a Justiça negou habeas corpus aos réus.

“Considerando o que foi determinado e que foi juntado aos autos relatório acerca do monitoramento eletrônico do cerco de segurança, designo nova audiência de instrução para interrogatório dos réus, para o dia 07 de julho de 2026 às 15h, de forma híbrida. De antemão, esclareço que as partes devem comparecer, de forma presencial no Fórum de Mantenópolis para oitiva, sendo facultada a participação dos advogados de forma remota. Sendo necessária a participação de forma virtual, informo que o pedido deverá ser apresentado com antecedência para apreciação e devidamente fundamentado”, diz o juiz na decisão obtida pela reportagem.

De acordo com as investigações da Polícia Civil e do Ministério Público, no dia do crime os policiais teriam inventado uma história, registrada em um Boletim de Ocorrência manipulado, afirmando que uma mulher os teria parado na cidade de Mantenópolis relatando um suposto acidente no distrito de São José, onde um rapaz estaria morto. O centro da cidade e o distrito, localizado na zona rural, ficam a uma distância de cerca de 7 quilômetros.

POLICIAIS CRIARAM NARRATIVA EM BOLETIM, DIZ INVESTIGAÇÃO

Segundo a investigação da Polícia Civil, a versão dos PMs contrasta com os fatos, já que há indicíos de que os policiais teriam emendado uma perseguição ao jovem que estava de moto, após ele desobedecer a uma ordem de parada. Foi então que o cabo Allyson Augusto de Mirada, apontado como o executor, efetuou disparos de arma de fogo contra o motociclista. Um dos tiros acertou a nuca, em um disparo feito pelas costas do jovem. O tiro foi constatado por um médico legista do SML de Colatina, desmontando a versão dos militares.

Corpo da vítima foi sepultado em Alto Rio Novo no dia 15 de novembro de 2024 (Crédito: Acervo familiar)

Rede Notícia teve acesso a Declaração de Óbito da vítima assinada por um médico legista do SML de Colatina. Nele é descrito que a morte do jovem Gustavo foi em decorrência de “paralisia bulbal, lesão perfurocontusa bulbar, e ferimento perfuro contudente por Perfuração por Arma de Fogo (PAF)”, descartando a possibilidade de acidente registrada pelos policiais militares que participaram do fato.

Declaração de Óbito confirma que vítima foi morta por tiro na nuca (Crédito: Obtida pela Rede Notícia)

DEFESA

A reportagem tenta localizar a defesa dos réus e encaminhou mensagem de texto ao WhatsApp de um dos advogados que constam no processo. Este espaço segue aberto para manifestação.

(Fonte: Rede Notícia)

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