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Justiça mantém prisão de suspeito de furtar R$ 1 milhão em gado e defesa critica atuação da polícia em Montanha

Justiça mantém prisão de suspeito de furtar R$ 1 milhão em gado e defesa critica atuação da polícia em Montanha

Pedro Ramon Rodrigues da Silva, de 43 anos, teve a preventiva mantida em audiência de custódia; advogado diz que suspeito não tem passaporte e polícia 'induziu juiz ao erro' (Crédito: PCES)

A Justiça manteve a prisão de Pedro Ramon Rodrigues da Silva, de 43 anos, suspeito de furtar 216 vacas avaliadas em um milhão de reais em uma fazenda no distrito de Vinhático, zona rural de Montanha, no Norte do Espírito Santo. A decisão, do juiz Wesley Sandro Campana dos Santos, foi tomada durante audiência de custódia realizada na sexta-feira (31). Ele havia sido preso no dia anterior, quinta-feira (30), em sua casa, no bairro Pelourinho, no mesmo município. A defesa diz que o suspeito é inocente, e que a polícia promoveu o que chamou de “espetacularização” movida pelo poder do sobrenome da vítima.

Durante a audiência de custódia, ao ser questionado pelo juiz sobre possíveis ilegalidades no ato da prisão, o suspeito relatou ter sofrido constrangimento e perseguição por parte da equipe policial antes de ser detido. “Eu estava num lugar público que eu frequento em Montanha e quatro pessoas me abordaram já me chamando de ladrão, botando o dedo na minha cara e falando o que eu tinha feito com o gado. O pessoal lá me atulhou num canto e foi bem, o Paulo, principalmente, bem truculento. No outro dia, o Paulo, que é o investigador da polícia, ficou rodando o dia inteiro no meu bairro. Ele me abordou no meio da rua, me segurou por mais de uma hora perguntando um monte de coisa. Falei que não ia falar nada com ele, só perante o delegado com meu advogado, e ele disse que eu seria ouvido às dez horas da manhã. Só que, nesse mesmo horário, ele já chegou na minha casa com o mandado”, declarou Pedro Ramon.

A prisão preventiva de Pedro Ramon havia sido decretada pelo juiz de garantias Diego Duarte Bertoldi, com manifestação favorável do Ministério Público, após pedido da Polícia Civil. Segundo a investigação, o suspeito era vizinho do dono do gado furtado e havia sido contratado para cuidar do rebanho, recebendo dois mil e quinhentos reais por mês. A polícia aponta que ele teria retirado os animais da propriedade sem autorização, remarcado o gado e vendido as vacas aos poucos para compradores diferentes.

Entre os motivos que levaram à decretação da prisão preventiva estão o risco de fuga do suspeito para o exterior estão o risco de fuga do suspeito para o exterior e a suspeita de que ele tentou convencer uma testemunha a mentir para a polícia, caso fosse procurada durante as investigações.

DEFESA

Procurado pela reportagem, o advogado Arthur Borges Sampaio, que faz a defesa do suspeito, criticou a manutenção da prisão e a condução do caso. Para o defensor, a prisão preventiva é uma medida extrema que configura uma antecipação de pena, prática incompatível com o Estado Democrático de Direito, lembrando que ninguém pode ser considerado culpado antes do trânsito em julgado do processo.

A defesa afirmou que o caso ganhou grande repercussão e apelo por conta do poderio econômico e do sobrenome da vítima na região, Thiago Luiz Orletti, influenciando no andamento da ação. O advogado apontou que a polícia promoveu uma espetacularização das investigações para transformar o cliente em um bandido perante a opinião pública.

Sobre as alegações de risco de fuga e coerção de testemunhas, o advogado rebateu afirmando que o cliente jamais fugiria do país ou ameaçaria testemunhas. O defensor ressaltou que Pedro Ramon não possui passaporte e que essa alegação de risco de fuga foi apresentada de forma leviana e sem provas para induzir o juiz ao erro. Além disso, destacou que o suspeito trabalhava normalmente, possui vida estruturada e família com estabilidade financeira no município.

Por fim, a defesa criticou a gestão das provas pela investigação, afirmando que o delegado responsável não permitiu o acesso completo à documentação do inquérito, situação que levou a Justiça a expedir um ofício determinando a entrega integral dos documentos aos advogados. Sampaio concluiu afirmando que a inocência de Pedro Ramon será provada ao longo do processo e que vai requerer a liberdade dele nos autos.

(Fonte: Rede Notícia)

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