A disputa do setor de rochas naturais no mercado internacional não se resume mais à variedade, ao preço ou ao acabamento das pedras. A pressão por materiais com menor impacto ambiental também começa a influenciar escolhas de empresas e consumidores, levando a indústria brasileira a buscar dados que comprovem as vantagens ambientais da rocha natural. No Espírito Santo, esse movimento envolve iniciativas de descarbonização, reúso de água e transformação de resíduos do beneficiamento em novos produtos.
Frente aos concorrentes, o setor de rochas brasileiro busca ainda mais diferenciais para avançar no mercado internacional. Uma das iniciativas visa comprovar que a pedra natural é consideravelmente menos poluidora que concorrentes como alumínio, plástico, aço e cerâmica.
“Hoje, o mercado exige o uso de materiais sustentáveis. Se obtivermos mais informações sobre as rochas, não tenho dúvida de que isso pode mudar o posicionamento do setor”, afirma Tales Machado, presidente da Centrorochas, a Associação Brasileira de Rochas Naturais.
A busca pela consolidação desses dados conta com a parceria do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), por meio do projeto EPD Global, um investimento de R$ 900 milhões.
A ação também tem apoio do Sindicato das Indústrias de Rochas Ornamentais, Cal e Calcário do Estado do Espírito Santo (Sindirochas-ES) e do Centro Tecnológico do Mármore e Granito (Cetemag).
O objetivo é estruturar padrões internacionais para a emissão de Declarações Ambientais de Produto (EPDs), posicionando a rocha natural como um material de baixo carbono.
“Temos 19 empresas engajadas no projeto. Nossa meta é alcançar 50 empresas”, diz Machado.
Outro destaque entre as iniciativas sustentáveis do setor é o reúso de água. Mais de 95% da água utilizada no processo produtivo são reaproveitados por meio do sistema de circuito fechado.
“Essa inovação foi motivada pela necessidade de resolver um problema crônico relacionado aos resíduos úmidos gerados durante o processamento, que dificultavam o transporte e o descarte adequados”, explica Giovanni Francischetto, superintendente da Centrorochas.
Ele ainda destaca que a prática hoje é adotada por 100% das empresas capixabas, por determinação legal, e os resíduos possuem destinação final adequada.
O Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema) destaca que o setor de rochas no estado realizou investimentos na área ambiental, na modernização dos equipamentos utilizados no beneficiamento e na qualificação da mão de obra.
Francischetto afirma que o Espírito Santo se tornou referência no beneficiamento de pedras naturais devido à fiscalização das empresas e à constante busca por melhorias nos sistemas de controle ambiental.
O avanço mais recente nessa área ocorreu com a transformação desses rejeitos industriais em subproduto comercial de valor para a economia circular, o FiBRO, sigla para Fino do Beneficiamento de Rochas Ornamentais.
“Ele passou a ser aproveitado na composição de massas cerâmicas, entre outros usos”, explica Francischetto.
(Por Fonte: Comex Stat)