Se os gargalos logísticos explicam parte do aumento recente do ticket médio das exportações, especialistas defendem que o próximo ciclo de crescimento dependerá menos da infraestrutura e mais da capacidade de reposicionar o Brasil na cadeia global de valor.
Mariele Christ, da Apex Brasil, destaca que o mercado internacional valoriza cada vez mais materiais exclusivos, sustentabilidade, rastreabilidade e soluções personalizadas para arquitetura e design. Nesse contexto, a diversidade geológica brasileira representa um diferencial competitivo relevante, reforçado pelos investimentos em inovação e certificações ambientais desenvolvidos pelo setor.
“O Brasil ocupa posição de destaque no mercado internacional de rochas naturais. Somos o quarto maior produtor mundial, o quinto maior exportador e temos a maior diversidade geológica do planeta, com mais de 1.200 variedades comerciais”, destaca Mariele Christ, gerente de Indústria e Serviços da ApexBrasil.
Segundo ela, a combinação entre riqueza geológica, parque industrial moderno e qualidade dos produtos faz do país um fornecedor estratégico para os principais mercados consumidores.
Apesar desse posicionamento, a executiva reconhece que a logística continua sendo um dos principais obstáculos para ampliar a competitividade internacional. “As empresas relatam dificuldades relacionadas à disponibilidade de contêineres, espaço nos portos, rotas marítimas e altos custos de frete”, afirma.
O cenário é ainda mais relevante porque os Estados Unidos seguem como principal destino das exportações brasileiras. Em 2025, o Brasil embarcou aproximadamente 351 mil toneladas para o mercado norte-americano, maior consumidor mundial de rochas naturais. Boa parte desse volume é destinada a aplicações em cozinhas, banheiros, pisos, revestimentos e empreendimentos residenciais e comerciais de alto padrão.
(Por Pedro Henrique Oliveira)