O espetáculo de dança ‘Célula’ será encenado no Theatro Carlos Gomes, em Vitória, nos dias primeiro e dois de outubro. A apresentação acontece às 19 horas na quinta-feira e em rodada dupla às 18h e 20 horas, na sexta-feira. Os ingressos podem ser adquiridos pela plataforma Sympla com valores a partir de R$ 15.
A obra parte de uma linguagem experimental híbrida para construir um ambiente em constante transformação. Retalhos, figurinos, reflexos, luz, som e corpos formam um organismo coletivo, no qual cada alteração provoca consequências nas demais partes.
Como um sistema vivo, ‘Célula’ não possui uma única configuração. O espetáculo pode se reorganizar de acordo com o espaço, o contexto e as condições de cada apresentação, assumindo diferentes configurações cênicas e espaciais e podendo contar com variações no número de intérpretes em cena. Essas possibilidades fazem parte da própria lógica da obra: assim como uma célula se adapta, se divide e se reorganiza, a montagem espetáculo também permanece aberta a diferentes formas de existência.
Sinopse
Em cena, uma criatura é inserida em um sistema que busca moldá-la e controlar seus movimentos. Ao seu redor, outros corpos reproduzem protocolos, obedecem a comandos e estabelecem relações de vigilância e contenção. Gradualmente, porém, o sistema começa a apresentar falhas: os corpos se desorganizam, as regras deixam de funcionar e aquilo que deveria ser controlado passa a produzir novas formas de existência.
Sobre a obra
Célula foi construída a partir de um processo colaborativo da equipe com os intérpretes-criadores, onde todos contribuem efetivamente na construção cênica da obra, em colaboração ainda com o próprio público.
A materialidade da cena também participa desse processo de transformação. Figurinos e elementos cenográficos são construídos a partir de materiais de descarte e reaproveitamento, como roupas usadas, jeans, sacolas plásticas, retalhos e MDF proveniente de outras cenografias. Esses materiais deixam de cumprir suas funções originais para adquirir novas formas e sentidos em cena.
Célula propõe uma experiência sobre controle e liberdade, pertencimento e ruptura, organização e desordem, pensando o corpo como território tão sensível e permeável, quanto resiliente e potente, onde sistemas podem ser tão bem incorporados e suportados, quanto tensionados e reinventados.
Sobre a pesquisa
Célula parte do corpo como território de disputa entre controle, adaptação e liberdade. A partir de uma linguagem híbrida, que articula experimentações em dança e artes visuais, a obra investiga como os corpos absorvem sistemas e também como podem interrompê-los, deformá-los e criar outras possibilidades de existência.
A pesquisa dialoga com o conceito de corpo dócil, de Michel Foucault, e com o corpo sem órgãos, presente no pensamento de Antonin Artaud e desenvolvido posteriormente por Deleuze e Guattari. O espetáculo pretende provocar reflexões sobre os mecanismos que organizam nossas vidas e sobre aquilo que acontece quando esses mecanismos deixam de funcionar: o que nasce quando um corpo já não consegue, ou não quer, continuar obedecendo?
O espetáculo resulta de um processo colaborativo de pesquisa em dança contemporânea, no qual intérpretes-criadores participaram da investigação dos movimentos, relações e estados corporais que compõem a obra.
Figurinos e elementos cenográficos são produzidos a partir de materiais de descarte, que ao serem deslocados de suas funções originais, participam da criação de novos corpos, formas e ambientes.
Assim, Célula propõe refletir sobre os modos como os indivíduos são moldados pelos sistemas que habitam e sobre a possibilidade de transformar, desorganizar e reinventar os modos de existir.
Serviço
Espetáculo de dança “Célula”
Data: 01/10 (quinta-feira) e 02/10 (sexta-feira)
Horário:
Quinta-feira às 19h
sexta-feira às 18h e 20h
Local: Theatro Carlos Gomes - R. Barão de Itapemirim, 232 - Centro, Vitória
Entrada: R$ 30 inteira e R$ 15 meia entrada - Vendas pelo Sympla
Classificação: 12 anos