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Semana do Rio Doce chega ao fim com alerta ambiental

Semana do Rio Doce chega ao fim com alerta ambiental

Evento reuniu pelo menos 650 participantes entre segunda (23) e sexta (27) reforçando debate sobre preservação dos recursos hídricos (Foto: Heloísa Mendonça Ribeiro)

O último dia da Semana Legislativa de Proteção ao Rio Doce, realizada pela Comissão Interestadual Parlamentar de Estudos para o Desenvolvimento Sustentável da Bacia do Rio Doce (Cipe Rio Doce), na sexta-feira (27), foi marcado por reflexões sobre o papel da sociedade na preservação ambiental e os impactos de grandes desastres sobre os recursos hídricos.

A palestra de encerramento, intitulada “O Rio Doce e a relação do indivíduo com o meio ambiente para proteção dos nossos rios”, foi ministrada pela doutora em Ciências Sociais pela Ufes Tânia Silveira. A pesquisadora abordou a importância do cuidado com a água e destacou as consequências de intervenções humanas inadequadas no meio ambiente.

Durante a apresentação, Tânia relembrou os efeitos do rompimento da barragem de Fundão, em 2015, considerado o maior desastre socioambiental do país. Segundo ela, os impactos ainda são duradouros e exigem atenção contínua. “Depois desse desastre, dizem alguns biólogos que durante 100 anos o rio vai estar contaminado. Isso se houver, de fato, um processo de despoluição”, alertou.

A palestrante explicou que o Rio Doce já foi considerado uma importante fonte estratégica de água doce para o Espírito Santo, inclusive com potencial de abastecimento para outras regiões. No entanto, a contaminação comprometeu essa função e ampliou os desafios para a gestão hídrica.

Ela também destacou a dimensão do desastre, que atingiu centenas de quilômetros entre Minas Gerais e o litoral capixaba, impactando diretamente diversos municípios. “Foi o maior desastre ambiental brasileiro e o maior da mineração em termos de extensão de danos”, afirmou.

Outro ponto abordado foi o processo de reparação. Segundo Tânia, as empresas responsáveis terão que destinar cerca de R$ 170 bilhões para compensação e recuperação, em um acordo com duração prevista de 20 anos — prazo que, segundo ela, pode não ser suficiente diante da complexidade dos danos.

Além do desastre, a palestra trouxe reflexões sobre a crise hídrica global e a necessidade de mudanças no comportamento humano. Entre os fatores apontados estão o crescimento populacional, o consumo excessivo e a degradação ambiental, que contribuem para a redução da disponibilidade de água doce.

A pesquisadora também defendeu a educação ambiental como ferramenta essencial para a preservação dos recursos naturais, com foco na informação, no conhecimento e na construção de uma cultura sustentável.

Balanço positivo

De acordo com o coordenador da Cipe Rio Doce, Hernandes Bermudes, a edição deste ano alcançou resultados expressivos, com ampla participação da sociedade. “Nós já temos um balanço de, no mínimo, 650 pessoas que participaram dessas atividades. O nosso objetivo é democratizar o debate relacionado aos nossos rios e nós temos alcançado isso”, destacou.

Segundo ele, a proposta da semana é promover um diálogo acessível e participativo sobre a preservação ambiental. “É um trabalho de formiguinha, mas com um objetivo muito nobre, que é envolver o maior número de pessoas possível nesse debate”, completou.

Hernandes também ressaltou a diversidade de temas abordados ao longo da programação, como saneamento, resiliência hídrica, preservação das matas ciliares e os impactos de desastres ambientais. Entre os destaques, ele citou a exibição de um documentário sobre o Rio Itapemirim e a participação de especialistas da área de saneamento.

Programação diversificada

A Semana Legislativa de Proteção ao Rio Doce foi realizada entre segunda (23) e esta sexta (27) com uma série de palestras voltadas à conscientização ambiental e à gestão dos recursos hídricos.

A programação incluiu temas como a relação entre saneamento e saúde, os impactos da ação humana sobre os rios, a resiliência dos recursos hídricos e a importância da vegetação para a preservação dos cursos d’água.

Entre os palestrantes estiveram representantes da Companhia Espírito-santense de Saneamento (Cesan), pesquisadores da Ufes e especialistas da área ambiental, além de membros de organizações da sociedade civil.

O evento reforçou a necessidade de ampliar o debate público e fortalecer ações voltadas à proteção dos rios, especialmente diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas e pelos impactos de grandes desastres ambientais.

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