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Fonoaudióloga alerta para a importância da Comunicação Alternativa no desenvolvimento de crianças autistas

Fonoaudióloga alerta para a importância da Comunicação Alternativa no desenvolvimento de crianças autistas

No mês em que se celebra o Dia Nacional da Luta da Pessoa com Deficiência, a conscientização sobre a acessibilidade vai além de rampas e calçadas: ela passa pela comunicação

A fonoaudióloga Tatiane Chagas, especialista em Transtorno do Espectro Autista (TEA), faz um alerta sobre a necessidade de difundir o uso da Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA) para garantir autonomia a crianças autistas não falantes. De acordo com a especialista, a ausência da fala verbal ainda gera forte ansiedade nas famílias, o que por vezes atrasa o acesso a ferramentas visuais de comunicação. "Ainda existe o mito de que usar pranchas ou aplicativos de comunicação vai fazer a criança 'ficar preguiçosa' para falar. A literatura científica comprova o contrário: a CAA reduz a ansiedade, diminui crises causadas por frustração e estimula o próprio desenvolvimento da linguagem oral", explica Tatiane.

A intervenção fonoaudiológica no autismo deve ser precoce e centrada na família. O uso de recursos que vão desde cartões impressos com figuras até aplicativos para tablets permite que a criança expresse vontades, sentimentos e necessidades básicas no ambiente escolar e familiar. "A inclusão de verdade só acontece quando oferecemos as ferramentas certas. Garantir que uma criança autista consiga dizer 'estou com fome' ou 'quero brincar', seja por fala, gestos ou telas, é uma questão de direitos humanos", finaliza a fonoaudióloga.

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Crença de que “a criança só fala quando quer” retarda diagnósticos; especialista Tatiane Chagas alerta para a diferença entre compreensão e expressão e ensina como estimular a comunicação no dia a dia

Uma das frases mais ouvidas nos consultórios de desenvolvimento infantil é: “Doutora, ele não fala nada, mas entende tudo perfeitamente. Acho que é só preguiça”. O que muitos pais e cuidadores desconhecem é que, do ponto de vista do neurodesenvolvimento, o mito da “criança preguiçosa para falar” não existe — e a capacidade de compreender o ambiente não anula possíveis barreiras na expressão da linguagem.

Segundo a fonoaudióloga Tatiane Chagas, a linguagem é dividida em dois pilares essenciais: a receptiva (capacidade de processar, compreender e seguir comandos) e a expressiva (capacidade de verbalizar sons, palavras e estruturar frases).

“É comum ver famílias tranquilizadas pelo fato de a criança apontar, levar até o filtro d’água ou obedecer a ordens simples. No entanto, se o vocabulário verbal esperado para a idade não surge, existe uma defasagem que não deve ser negligenciada. A espera passiva pelo ‘tempo de cada um’ costuma custar uma janela de desenvolvimento preciosa”, alerta a especialista.

Comunicação além das palavras

Tatiane explica que a comunicação começa muito antes da primeira palavra articulada. O contato visual, a troca de turnos (esperar a vez), a imitação, o ato de apontar e até o choro funcional são ferramentas de interação social. O sinal de alerta acende quando a criança depende exclusivamente de gestos ou do choro para manifestar necessidades que já deveriam ser acompanhadas de linguagem oral.

Outro ponto que costuma passar despercebido são as atitudes dos próprios adultos. Na tentativa de proteger e acolher, muitos pais acabam antecipando todas as vontades da criança.

“Se o pequeno apenas aponta para o armário e o biscoito é entregue de imediato, ou se a família responde tudo por ele, a criança não experimenta a necessidade real de se expressar. Frases prontas ou tentar corrigir a pronúncia a todo instante com ‘diz de novo, fale certo’ geram ansiedade em vez de estímulo. A chave não é cobrar perfeição, mas dar tempo e criar oportunidades para que o diálogo aconteça”, destaca.

Quando procurar ajuda?

Embora cada criança tenha seu ritmo de evolução, a fonoaudióloga reforça marcos que pedem uma avaliação especializada:

  • Aos 12 meses: não balbucia, não mantém contato visual ou não reage a chamados pelo nome;
  • Aos 18 meses: não utiliza pelo menos de 6 a 10 palavras simples e não aponta para demonstrar interesse compartilhado;
  • Aos 2 anos: não junta duas palavras (como “quer água”, “dá bola”) e não tenta imitar sons do cotidiano;
  • A partir dos 3 anos: a fala é ininteligível para pessoas de fora do convívio familiar imediato ou ocorrem frustrações intensas pela incapacidade de se fazer entender.

A intervenção precoce, segundo a especialista, não busca apenas ensinar a falar, mas garantir que a criança consiga se conectar socialmente, diminuindo angústias e construindo autonomia para a vida escolar e emocional.

Sobre Tatiane Chagas:

Fonoaudióloga especialista em Transtorno do Espectro Autista (TEA), com atuação voltada para intervenção precoce, linguagem e Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA).

(Por Flávia Varela / RF Comunicação)

 

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